À Mesa Com Jesus

“Chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa, e com ele os apóstolos. E disse-lhes: Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes do meu sofrimento. Pois vos digo que nunca mais a comerei, até que ela se cumpra no reino de Deus. E, tomando um cálice, havendo dado graças, disse: Recebei e reparti entre vós; pois vos digo que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus.”

Lucas. 22:14-18

Introdução

A Páscoa dos Judeus celebrava a libertação temporária, física de um povo apenas, das garras da escravidão. A Ceia do Senhor celebra uma libertação espiritual e permanente de todos aqueles que crêem em Jesus como Senhor e Salvador das suas vidas.

Aqueles que estão sentados à Mesa do Senhor são aqueles que tal como
Lucas falou, possuem quatro marcas na sua vida diária como cristãos – At. 2:42

  1. Obediência à Palavra de Deus
    Obediência ao ensino dos apóstolos
  2. Comunhão
    Relacionamento com os outros
  3. Partir do Pão
    A Ceia do Senhor
  4. Orações
    Relacionamento com Deus

Aqueles que se sentam à Mesa do Senhor e participam da Ceia do Senhor são aqueles que obedecem à Palavra de Deus, mantêm comunhão uns com os outros e mantêm comunhão com Deus.

Pergunta para reflexão:
Qual destas quatro marcas da vida diária do cristão ainda tenho mais dificuldades?

No texto bem conhecido e lido todos os meses antes de tomarmos a ceia, I Cor. 11, Paulo começa por algo inquietante. Divisões.
Paulo apresenta-nos dois resultados da divisão:
As divisões do v. 18, não causam apenas separação, causam destruição.
Esta é a razão porque devemos lutar pela unidade, pois a divisão causa não apenas separação, mas pior, causa destruição.

As divisões levam a que os fieis sejam reconhecidos – v. 19

A minha oração é que todos nós na família Encontro Vida, possamos ser reconhecidos como fiéis, pois cooperam e trabalham para a unidade do corpo de Cristo.

Pergunta para reflexão:
Qual dos dois resultados da divisão são notórios em mim?

A grande questão de Paulo ao repreender aqueles que não estavam num bom espírito era: “Se vocês nas têm amor pelos vossos irmãos, porque participam na festa do amor?” Sim a Mesa do Senhor é a festa do amor. É a festa daqueles que foram amados de forma incondicional por Deus, e agora amam a Deus de todo o seu coração e amam os outros como Deus os amou a eles.

O Propósito da Mesa do Senhor

Uma das passagens mais lindas das Escrituras é uma celebração. É a celebração da maior vitória que o mundo alguma vez presenciou. Esta celebração não é uma opinião de Paulo, é uma revelação de Deus – v. 23 – A Ceia do Senhor é a maior revelação de Deus ao homem.

Na libertação do Egipto, nós temos o sangue de um cordeiro nos umbrais das casas dos hebreus. Na Ceia do Senhor, celebramos o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. A Mesa do Senhor, lembra-nos a Cruz de Jesus. Sem a Cruz de Jesus, a Mesa ficaria vazia de sentido. Ficaria vazia de celebração, pois não haveria nada para celebrar. A Mesa do Senhor, a Ceia do Senhor está repleta de significado e celebração por causa da Cruz de Cristo. Há Mesa do Senhor, porque houve a Cruz de Cristo.

Pergunta para reflexão:
Quando participas da Ceia do Senhor, participas com uma atitude de celebração?

A revelação começa com o Rei da glória a ser traído, para que todos nós pudéssemos ser atraídos a Deus.

No meio do ódio e do mal, Jesus vem revelar o amor e o bem a toda a humanidade. Num mundo dominado pelo ódio e pelo mal, Jesus veio estabelecer o amor e o bem.

Tal como as divisões, o mal que encontramos no v. 19, tornam conhecidos, e ainda mais notados os que são aprovados, assim o ódio e o mal no mundo, tornam ainda mais notado e aprovado o amor de Deus por toda a humanidade.

A traição apenas torna mais evidente o sacrifício de amor de Jesus por todos os homens e mulheres.

No meio do pior que satanás podia fazer, a condenação de Jesus Cristo na Cruz, Deus cumpriu o seu absoluto bem, o sacrifício pela redenção de toda a humanidade através da Cruz. O pior que o diabo conseguia fazer, apenas tornou mais evidente o Bom de Deus, o amor de Deus, a Graça de Deus. A misericórdia de Deus. Grande Deus!

Esta nova Ceia, esta nova celebração é sem dúvida alguma, muito melhor, muito mais perfeita que a antiga Páscoa, que a antiga refeição.
A Nova Aliança é muito superior à Antiga.

O Pão que antes representava o Êxodo, agora representa o Corpo de Cristo. O pão partido, representava um Deus feito homem partido, para que o homem pudesse ser feito inteiro.

É precioso podermos ler: “Isto é o meu corpo que é dado por vós”.

Jesus deu o Seu corpo, a sua vida incarnada, por toda a humanidade. Que amor gracioso. Deus faz-se homem, não por causa dele, mas por causa de cada um de nós. Jesus pagou o resgate por toda a humanidade, para que o homem pudesse ser verdadeiramente livre.

O Cálice que representava o sangue do cordeiro que havia sido aspergido nos umbrais das portas dos hebreus no Egipto, agora representa o sangue de Cristo, do verdadeiro Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, e não apenas de um povo só. Agora são homens e mulheres de todos os povos, raças, línguas e nações que formarão um novo povo só, um novo corpo só, uma igreja só.

A Antiga Aliança era continuamente ratificada pelo sacrifício apresentado pelos homens, mas a Nova Aliança é ratifica uma única vez e para sempre pelo sangue precioso e imaculado de Jesus Cristo. Não mais um sacrifício oferecido por homens, mas um sacrifício perfeito oferecido pelo próprio Deus. Como diz o autor aos Hebreus

“assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam.”

Hebreus 9:28

A Páscoa dos Judeus era apenas a celebração da libertação do Egipto para Canaã. A Ceia do Senhor, a Nova Páscoa, A Nova Aliança é a celebração da libertação do pecado para a salvação, da libertação morte para a vida, da libertação do diabo para Deus.

Pergunta para reflexão:
Quando participas da Ceia do Senhor, celebras esta libertação do pecado da morte e do diabo?

A Antiga Páscoa transforma-se agora na Nova Páscoa, na Ceia do Senhor, na Nova Aliança. Agora ao tomarmos o pão e o vinho não nos lembramos mais do mar vermelho, mas lembramo-nos do Cruz que ficou vermelha com o sangue glorioso de Jesus Cristo que nos salvou e libertou não de uma escravidão terrena, mas da pior de todas as escravaturas. A Escravidão do pecado e das trevas.

É em memória Dele. Em memória dele é mais do que apenas trazer à memória o que Ele fez. Trazer à memória é tornarmo-nos participantes do que Ele fez. Quando tomamos a ceia não fazemos nenhum sacrifício, lembramos o único e suficiente sacrifício que Jesus fez em nosso lugar, tornando-nos a nós mesmos disponíveis para sermos obedientes como servos de Deus nesta Nova Aliança.

“Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.”

v.26

Enquanto estivermos dispostos a proclamar a morte e a ressurreição de Jesus, iremos celebrar a Ceia.
Querer celebrar a ceia sem estarmos disponíveis para proclamar a morte e a ressurreição de Jesus não faz sentido.
Jesus e Paulo não falam da frequência com que a Ceia do Senhor deve ser tomada, porque deve ser uma festa constante, uma celebração constante, não uma actividade, um evento apenas.

A Ceia do Senhor é um testemunho de que não nos envergonhamos de Jesus, do seu sacrifício, da Sua obra. A Ceia do Senhor é um testemunho de que pertencemos a Ele, de que queremos ser obedientes a Ele. A Ceia do Senhor é uma declaração que nós somos totalmente do nosso Amado e que o Amado é totalmente nosso.

Pergunta para reflexão:
“A Ceia do Senhor é um testemunho de que pertencemos a Ele, de que queremos ser obedientes a Ele.” Concordas com a frase?

A Ceia é também a declaração de que Jesus virá outra vez. Pois não apenas proclamamos a Sua morte, proclamamos que Jesus está vivo e que voltará de novo. Jesus virá e não tardará. Esta proclamação ajuda-nos a focar o que está adiante, no dia em que estaremos para sempre com Jesus. A Ceia do Senhor é a celebração da Vida de Jesus e do Seu regresso em Glória.

Cinco coisas que fazemos quando nós os seus filhos, nos acercamos da Mesa do Senhor:


Lembramos Obra de Cristo na Cruz do Calvário – I Cor. 11:25
Participamos da Comunhão – I Cor. 10:16
Promovemos a unidade – I Cor. 10:17
Proclamamos a Salvação em Cristo Jesus – I Cor. 11:24-25
Antecipamos a Vinda de Jesus em Glória – I Cor. 11:26


“E digo-vos que, desta hora em diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de beber, novo, convosco no reino de meu Pai.”

Mateus 26:29

A Preparação para a Ceia

“Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. Assim, pois, irmãos meus, quando vos reunis para comer, esperai uns pelos outros. Se alguém tem fome, coma em casa, a fim de não vos reunirdes para juízo. Quanto às demais coisas, eu as ordenarei quando for ter convosco.”

I Coríntios 11:27-34

O Apóstolo Paulo fala-nos da possibilidade de participar da Ceia do Senhor indignamente – I Cor. 11:27

Podemos vir à Mesa do Senhor indignamente de várias maneiras. Fazê-lo como se de um ritual se tratasse, é participar indignamente. Quando achamos que o que nos salva é tomar os símbolos em vez de humildemente reconhecermos que é o que simboliza que nos salva e não os símbolos em si. Não é o pão, seja ele pão alentejano ou pão de leite, não é o vinho seja ele carrascão vinho do porto, ou sumo, que nos salva. O que nos salva é o sacrifício de Jesus na Cruz do Calvário, que o pão e o cálice simbolizam. O pão, mesmo após a oração, nunca deixará de ser pão. O pão nunca se tornará o Corpo de Cristo. O pão sempre irá simbolizar o Corpo de Cristo.

Vir à Mesa do Senhor, com ódio no coração por alguém, ou com pecados dos quais ainda não nos arrependemos é tomar indignamente a Ceia do Senhor.

Tomar a Ceia do Senhor sem termos um coração arrependido, sem um coração cheio de amor por Deus e pelos outros, não o fazemos dignamente.

Pergunta para reflexão:
Já participaste alguma vez da Ceia do Senhor indignamente? Corrigiste a situação? Como?

Tomarmos a Ceia do Senhor indignamente é tornarmo-nos réus do corpo e do sangue do Senhor. Pisar a bandeira de uma nação, não é desrespeitar um pedaço de tecido, é desrespeitar uma nação inteira que a bandeira representa. Tomar a Ceia do Senhor indignamente não apenas desonra a cerimónia, desonra Aquele a quem a cerimónia quer honrar. Isto faz desse um culpado de desonrar o corpo e o sangue de Jesus.

“Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice”

1 Coríntios 11:28

Antes de fazermos parte da Ceia do Senhor, devemos examinar as nossas vidas. mas o que é interessante é que Paulo diz-nos que devemos examinar a nós mesmos e assim comer. O problema é que alguns examinam as suas vidas e deixam de participar na Ceia de Senhor. Isso apenas significa que o auto-exame não teve muitas consequências. Pois quem se auto-examina deve ter o desejo e a coragem de corrigir o que não está bem, para que assim possa fazer parte da Ceia do Senhor. Possa celebrar não uma libertação meramente terrena e temporária, mas celebrar uma libertação espiritual e eterna.

A Mesa da Ceia do Senhor não é uma mesa dos perfeitos, mas é uma mesa de santos. Não é uma mesa de super espirituais, mas é uma mesa de homens e mulheres nascidos de novo.

Pergunta para reflexão:
Como te sentes à Mesa do Senhor? Perfeito, indigno, santo, pecador, super espiritual, nascido de Novo?

Tal como na mesa do Palácio, quando o rei David mandou chamar Mefibosete, deficiente dos seus pés, mas que teve lugar à mesa do rei, assim também nós, apesar das nossas deficiências temos lugar à mesa do Rei dos reis e do Senhor dos senhores. O manto da Sua infinita graça tapou as nossas deficiências, quebrou o nosso pecado, removeu a nossa miséria, e agora celebramos a libertação eterna e espiritual que Cristo nos oferece.

“Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.”

A mesa da Ceia do Senhor é para aqueles que foram verdadeiramente livres por Aquele que se deixou prender por amor a nós.

Quem se senta à Mesa do Senhor, até pode ser disciplinado, corrigido. Mas isso em si mesmo não é nenhuma tragédia, pelo contrário. A disciplina do Senhor, a correção de Deus é apenas uma prova do seu imenso amor para connosco. Deus ama-nos tanto que o seu amor O leva a melhorar a nossa vida, o nosso coração, o nosso comportamento, a nossa maneira de viver.

Pergunta para reflexão:
Já alguma vez foste corrigido por Deus? Como foi essa experiência?

Sim Deus corrige. E graças a Deus porque Ele o faz. Significa que sou amado por Ele. Significa que Ele ainda não desistiu de mim. Sim podemos dar graças a Deus, que Ele corrige para que não sejamos condenados com o mundo. Sim somos corrigidos, mas não somos condenados. Porque

“agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.”

Romanos 8:1

As consequências de não aceitarmos a correcção e a disciplina de Deus é que ficamos fracos, doentes e em sono profundo, ou seja, sem vida espiritual.

O escolhermos a Mesa do Senhor, é escolher uma vida santa em vez de uma vida de pecado. É escolher a justiça em vez da injustiça. É escolher a graça em vez da desgraça. É escolher edificar a nossa casa na rocha e não na areia. É escolher o céu e não o inferno. É escolher abandonar o pecado e não esconder o pecado. É escolher a unidade e não a divisão. É escolher sacrificar-me pelos outros e não exigir que os outros se sacrifiquem por mim. É escolher ser sal que preserva e não o sal que é pisado porque perdeu o seu sabor e para nada mais serve. É escolher a misericórdia e não a indiferença. É escolher o bem e não o mal. É escolher a luz e não as trevas. É escolher o pão da vida e não o pão que o diabo amassou. É escolher a água da vida e não o vinho em que há contenda. É escolher entrar pela porta e não saltar o muro como os mercenários e salteadores. É escolher o caminho, a verdade e a vida, e não o falso caminho, a mentira e a morte. É escolher ser vara limpa e podada que dá fruto para a glória de Deus, e não vara cheia de folhas e vazia de fruto. É escolher a ressurreição e vida e não a morte e perdição eterna. É escolher o amor e não o ódio

Conclusão

A Mesa do Senhor é a festa do amor e do perdão, da graça e da restauração, da verdadeira libertação. Não uma libertação meramente física de um povo. Mas sim um libertação eterna, de todos os povos, raças, línguas e nações, que formaram agora, o corpo de Cristo, que é a Sua igreja. Serão esses que novamente à Mesa do Senhor irão contar um cântico novo: “Digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor!” Apocalipse 5:12

Celebremos a Vida, Celebremos o Perdão, Celebremos o Amor, Celebremos Jesus. Estar à mesa com Jesus, tomar o pão e o cálice é a maior celebração que podemos fazer.

“Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos.”

Apocalipse 5:13